Procurem-me, mas não me perguntem por quê.
Procurem-me no instante que se altera por urgência ou necessidade.
Procurem-me na biografia do futuro, num mar sem gente, num retrato em preto e branco.
Sou como tantos outros, curioso “somos seres curiosos, nós e nossa diária e pequena solidão”.
Eu sei, existe vida lá fora, existe a palavra, o esboço e o mundo num só trago.
_Eu já fui adepto da “inocência” já fui um por todos, mas, já não sei mais como se faz para conciliar tantos universos.
Não conheço a simetria e nem os padrões e não entendo como habitamos o mesmo etéreo.
Estou experimentando o meu próprio colo como um velho hospede onde o tempo não tem tempo e o medo é réu confesso.
Procurem-me nas pegadas do pretérito imperfeito bem pra lá das aparências...
“Ao velho hospede que habita em mim despeço-me, pois este molde é meu”!
Volto instintivamente para o norte e na palavra eu busco conforto.
... Procurem-me nas penas de um poeta /na casa que não é a minha.
Procurem-me nas páginas que se deixam acordar é minha a letra inicial, única, do principio ao fim.
Ainda estou caminhando e recorro ao minuto que se completa como se fosse o último segundo. Eu sou tarde e manhã meu corpo pertence ao tempo, mas, nunca o meu meio dia.
Nunca em tempo algum serei vitima de mim, pois eu sou terra que não acaba, sou o sacudir das asas, eu sou onde começa o sonho, a parte crua do mistério.
Procurem-me no contrafeito da saudade, pois a memória já me falha, estou longe, onde estive perto!
Procurem-me no sorriso aprendiz e paciente sem efeito e nem defeito apenas, procurem-me, mas não perguntem por quê.
Procurem-me no meu verbo presente (EU).
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Petrópolis – 25//
2014

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