Mais do que palavras...
O efêmero corpo terreno, lento, envolto no pano que veste.
_ Somos ambos a noite percorrendo tantas outras noites, somos a intenção que não se explica a intensidade quebrando a monotonia da voz que insiste mesmo quando lhe faltam as palavras.
Somos o ato perdendo-se em estilhaços, somos o fato da alma incansável.
Reconhecemos as ruas, despimos a luminosidade dos dias e escapamos da profundidade das sombras.
Somos a soma de muitos passados, essa coletividade que nos habita e o que nos resta, é essa realidade intensamente mágica marcada por cicatrizes profundas que emerge maior do que a soma de tudo que já vivemos.
Que possamos encontrar o discernimento no sentido único e puro do ser.
Estar do lado é ser como a planície que namora o rio sem lhe tocar, estar com verdade é ser porto em forma e sentido/força e cumplicidade.
Ambos detemos a generosidade desmedida e uma “agrura” quase cruel.
Estamos aprendendo.
... Não é possível amar sem antes contorcer os caminhos, os desejos, pois o Porto não se possui, o Porto acolhe-nos.
Devemos aprender com todos os sentidos, com cada sorriso e dor, em cada forma intrinsecamente ligada a uma alma.
Apaixonamos-nos pelo Porto e nele habitamos nos servindo de sua alma sôfrega, porque juntos vivemos intensamente, namorando um rio que corre e alimenta.
Lado a lado, pois, é no abraço sentido que encontramos histórias passadas que nos orienta.
Somos a descoberta da morte da inocência, somos fora da gaiola, somos o oxigênio que o mundo insiste em tirar.
VIDA... Entendo que existem fios que nos conectam a cada alma errante que cruzam o nosso caminho, elas nos ensinam, nos dão e compartilham.
...Tudo é tão intenso como o nosso próprio espaço, sentimos na carne.
Estar do lado por querer estar é finalmente conseguir atravessar livremente, é divagar entre amar a si e ao outro sem nunca perder o centro.
Somos carne que calmamente se liga e que calmamente se inicia um olhar mais límpido.
Vivemos cada um, um caminho, uma energia. Temos o toque de um coração mortal que aguarda a sua paragem e nunca devemos dissociar o sentimento do gesto.
Tocaram-me a mim e também tocaram em você.
Somos cicatriz e seda e fomos avisados dos contornos e defeitos. Nossa carne e alma são unas.
Somos espírito, oxigênio, sangue e o equilíbrio das bases...
Hoje estamos ligados a cada vibração, pois existe o choque de alma e carne.
A lição que todos devem aprender é que o lugar que ocupamos é de nossa total responsabilidade e isso não nos deve assustar. O que nos deve assustar é a falta de confiança e de esperança que por vezes se apoderam de nós.
Somos, todos capazes de perdoar, de aceitar e abraçar o passado/ limpar as lágrimas porque somos capazes de uma palavra amiga e de uma esperança possível.
Porque no fim estar do lado é recordar e limpar o olhar do medo e da duvida porque apenas somos humanos.
Não podemos aceitar que o futuro nos escape, devemos ter cuidado para não crescer para fora e nos tornar rochedos. Que a chuva caia sobre nós por todos os lados e que possamos passar pela vida com a doçura de quem vai guiado por Deus.
VIDA... Aprendemos que as mãos que aplaudem o nosso voo às vezes são as mesmas mãos que se fecham quando caímos.
Aprendemos que devemos ser fortes e isso não é pecado, somos humanos, mas também somos um sonho lançado ao chão a um destino que quisemos escolher.
Não devemos ser a montanha, devemos ser planície.
Lado a Lado.
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E.T.A.H.E,P.S
Petrópolis – 13/12/2014

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