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O espelho da alma

Sentimentos quebrados, visão embaçada.
Todos nós já experimentamos o ângulo ruim de coisas e pessoas.
Todos nós já fomos narcísicos. Também já fomos cúmplices nos comprometendo com a simplicidade, mas nunca com o inusitado.
Você, eu. Somos líricos e perversos. Somos o desejo incontido de ir-se.
Eu sempre me saciei com um simples olhar para a estrada e sentia a vida pela brecha da janela. Eu me encantava com a LUA enquanto me servia de olhar as estrelas.
_ Eu agreguei pessoas, mas, onde elas estão?
“Existe uma pessoa que é assim impossível de atraiçoar, pois de algum modo não me deixa cair, pois sabe do meu riso como sabe das minhas lágrimas e intuitivamente sabe o por que”...
O maior tributo é conseguir todos os dias me lembrar de que nunca estou só. Estou nas memórias e sorrisos cúmplices (verdadeiramente) cúmplices.
Eu voltei a acreditar em monstros, mas também acredito em mim!
-Apesar de tudo gosto de me lembrar do desejo puro-
Eu descubro a cada dia um pouco mais de mim e muito mais do outro. É como se eu conseguisse de alguma forma ver além de um par de olhos...
Vivemos num mundo de conveniências, removemos terras para construir novas pontes até o outro e nunca percebemos que essas pontes nos levam para destinos que não queríamos e que a terra que removíamos era a mesma terra que nos unia.
Somos nós que deixamos a chuva cair, sem parar. Submergimos e perdemos a razão.
-Nos deixamos levar e então, seguimos com o nosso pecado em frente, substituindo cada mosaico por um silêncio que passa um caminho que segue e um tempo que escapa.
A maior declaração de amor que já recebi na vida foi ser chamado de AVATAR. Eu: assumindo minha existência “sagrada”. Entretanto, eu confesso...
Eu gosto de ver chover, gosto de tudo na chuva. Gosto das trovoadas, eu gosto de música, de surpreender, gosto até, de saber que existem pessoas que não gostam de mim. Gosto de saber que nunca sou metade de mim mesmo, gosto do silêncio e gosto de rituais, mas...
Odeio depender de algo ou alguém e também não gosto que dependam de mim.
Não gosto de rotulagem, não gosto de condutores inteligentes e nem circos de vaidades. Não gosto de sorrisos forçados, caminhos pré-traçados. Não gosto de compromissos/promessas. E odeio a “melhor maneira de fazer as coisas”...
O livre arbítrio dos dias e essa mágoa rasteira /alguns sentimentos são tão previsíveis e mesmo assim parece que se desconhecem.
O medo paralisa cega, e às vezes, tudo que temos naquele momento são escolhas de fim e pressuposto. Sabe... Eu acredito na força do universo e julgo duramente o meu reflexo no espelho e eu não sou um acidente de percurso. EU sou feito de vontade de viver, mas então eu penso... E se a vontade falhar?
-Certamente não falhará a certeza de lutar, lutar sempre, contra tudo. Pelas certezas que não se abalam e pela autoconfiança de vencer.
Eu já sou um vencedor e como sabem no fim todos os vencedores se acham sozinhos.
O interessante é que todos apontam as nossas medalhas pessoais, mas esquecem dos erros que nos trouxeram até aqui afinal somos vencedores.
_Eu vejo pessoas mancando em seu egoísmo, vejo círculos que conjuram os “diferentes”, eu vejo sarcasmo e vejo um homem sentado na calçada traçando a cada golpe da vida limites invisíveis contra velhos fantasmas.
Eu e meu velho baú demasiado fundo, eis um jovem senhor que se pavoneia e que apesar de não parecer esta coberto do pó dos anos. Eis um jovem senhor oxidado pelo sal do próprio suor. Um jovem senhor cuja costas curvadas carregam tantas derrotas como também vitórias... Escrevo com a força DAQUELE que traçou o meu caminho. E se acaso esse for o ultimo capitulo vou sorrir orgulhoso e intimamente esperar que ELA sussurre no meu ouvido... “olha o caminho queimado, o peso já extinto, sinta, pois já não existe mais dor- teu sangue corre livre”.
Eu adoro as pequenas certezas e o susto do silêncio. A minha consciência é limpa e com ela embrulho as minhas ações. Fui perfeito, mas sempre humano. Sou dono de um amor que não se esgota, e enquanto não esgotar os motivos eu vou lutar.
Estou cansado, mas ainda não atingiram o meu centro.
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Petrópolis – 11/12/2014
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